o que se salva em mim é alegria.
as trapaças da vida enfrento sorridente,
não consagrando à tristeza nenhuma elegia.
as vicissitudes cremo em meu peito ardente.
o que se salva em mim é pureza.
preservo à todo custo de minh’alma a virgindade,
imune à sífilis que lesa o caráter
[ cancro da safadeza.
se vencerei tal escaramuça o dirá, mais tarde, a posteridade!
o que se salva em mim é bondade.
partilho com todos minhas epifanias
[ divina fartura
satisfazendo a fome de seus corações
[ sagrada saciedade.
ignoro as trilhas do vício, precursoras da amargura.
o que se salva em mim é amor.
amo todos os seres vivos
[ indiscriminados
pois são manifestações de Deus
[ Supremo Criador.
não foram o mundo e suas criaturas
num só bloco cinzelados?
o que se salva em mim é esperança.
eu que estou dentro de mim
[ eternamente agrilhoado
espero um dia ser libertado
[ trazendo bonança ao meu furor.
quando eu próprio me salvar,
podem crer: pelos céus terei sido abençoado!
# rua general osório, fundinho - 17.12.1979
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