a alma vai cambaleando para trás
relampejando penúrias
trovoando, ventando, chuviscando
caindo contra a abundância da lua
a alma fica esperando o dinheiro
esperando o amor
esperando casualidades do destino
desatenta ao carma
enganada, ensandecida, despercebida
a alma engendra culpas
pressente que há algo errado
desconstroi segredos
morde a mão do corpo gordo e canceroso
maldiz asas imortais
[ de ouro
goza cloacas medonhas e escuras
mal amada
[ jamais declara amor!
a alma segue o fluir do esgoto
[ imundo
caminha sem ousar pegadas
abomina sagrados textos
ansia tardias esperanças
salta na descontinuidade dos abismos
[ melindrada
a alma… a alma galopa/
/ na dor das esporas fustigadas nos doridos flancos
/ no terror vincado nos rubros olhos
/ incólumes trilhas com sangue salpicando
/ alucinada dentre labirintos de xiquexiques
/ invisíveis inimigos no escuro escoiceando…
# nem tudo são flores - 2006
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