terça-feira, 16 de setembro de 2025

leva-e-traz 25

 

veio.

dispersa, luminescendo ao por do sol.

trazia a evolação das distâncias na face.

sexy e ortodoxo, um (sor)riso vincado na boca.

flanava junto ao portal do tempo.

encaroçados de desenfreada ira

tinha raios na etérea aljava [ entre os seios.

seus olhos eram tão expressivos

que não fazia uso da palavra.




veio.

mas uma cálida entonação,

quiçá telepática,

d’alguma coisa sussurrada,

se fazia ouvida…

( p-e-r-d-i-ç-ã-o! ) 

não a recordo: ainda que vá perdurar

nas abissalidades d’alma [ por toda a minha vida!  




como veio, foi-se.

talvez norteada por uma ideologia.

uma crença [ que seja; ou inegociáveis valores.

evitou as casinhas de sapê,

os quintais eivados de doces lembranças,

e as crianças desatentas ao escoar do destino.




foi-se.

olhos altivos, mercerizando em suas iris um céu estrelado.

desdenhava ter morrido por tudo que havia sido,

pois sabia-se perfeita em sua aparição!

ah, meu Deus, foi-se…

( foi-se abrindo caminhos 

                 [ do pecado

  à mais metafísica compreensão. )




# olhe prá cima! - 2010


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