quinta-feira, 25 de setembro de 2025

gesto 11


a ciciante água esverdeada

ondeando os barrancos arriçados;

dedo em riste apontando a sexy Uiara,

as enfezadas matas escuras 

e as árvores verticalmente geométricas

                                                [ como as catedrais…




peixes-bois, ariranhas e capivaras nadando:

dedo em riste apontando as mecânicas correntezas,

o indolente rio, as funâmbulas garças 

e os alvos bancos de areia,

horizontalmente geométricos

                               [ como as plataformas d’um cais…




o uirapurú cantando seu mundo interior;

dedo em riste apontando as onças pintadas,

as cunhãs espantadas com os pênis dos curumins,

minusculamente geométricos

                               [ como raros cristais.




e o céu embuçado, perdido em penumbras,

dedo em riste apontando o boitatá, 

emergindo no meio do fogo-fátuo,

escamas se alongando junto ao gosmento corpo,

afiadamente tensas e geométricas

                                        [ como fatais espadas de samurais.




# will you never let me - 2009


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