vós, malditos, ousastes sonhar!...
mas, com requintes de loucura?
ah, tolos… vós sonhastes corpos, feminis,
lânguidos, deitados às transgressões da Lua,
seus sexos, entreabertos, febris,
cópulas, violentas [ mesmo!,
portando-vos como animais
[ que se acasalam
[ no cio…
vós, ímpios, sonhastes infinitos caminhos…
ah, vós os sonhastes sem o castigo do tempo,
sem os salteadores, habitués das encruzilhadas,
sem suicidas, se imolando em vão,
sem a fugacidade do amor,
dos seres amados sem a despropositada perda…
vós, eternos derrotados, sonhastes cinzas, quase alvas,
flutuando no ar, caindo como neve… vossos corpos
já teriam ardido em piras infernais, em vossa ancestralidade [ perdida…
vossas almas, órfãs, ainda clamariam justiça, aos vencedores das guerras,
por vossos corpos não terem sido tomados como húmus da terra…
hoje, vós sonhais só paz, mesmo que se consume a morte…
hoje, vós sonhais só divinas consolações:
sabeis, ó hipócritas,
que Deus dar-vos-lhes-á
[ antes mesmo de merecê-las!
# sabão em barra- 2019