no caixão, o morto pálido
o corpo esquálido, retesado
o sorriso dúbio no rosto
o voo da alma, não autorizado
no caixão, o crédito perdido
o santo incompreendido
as toscas flores murchas
o nariz, com algodão, sangrado
no caixão, o óbito estatístico
a grande notícia do obituário
das moscas o vai-e-vem
sob o agudo queixo, o relicário
no caixão, a madeira pobre
o ventre, obsceno, inchado
as meias de fio sintético, chulezentas
o paletó curto, ridículo, rasgado
no caixão, a hipertensão incontida,
o último “aldomet” sob a língua ferida,
o futuro ofício oferecido aos vermes,
a braguilha escancarada,
a cueca de linho
[ encardida,
escondendo a piroca chocha
[ porém obstinada
# franzino é o outro - 2004
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