ó agonias, sombras de atávicos sonhos,
rastros ou testemunhos não deixais?
nuvens que pairam à tona do céu:
horas, indistintas ao próprio tempo,
a massacrar o tédio meu!
e canta o carro-de-boi levantando poeira
na imponderável curva da estrada…
e vai-se embora mais uma tarde,
destrambolhando-se o sol em ocaso,
enlaçados ao tímido torpor da noite
[ que, inapelavelmente, cai…
aprofundam-se as dores; eternizam-se as mágoas:
impera, só, a percepção, consciente,
de quem ainda se ilude com a vida…
ah, eu e os escombros d’alma ondeando-se ao luar,
serpejando com’uma centopeia ( logopeia? ) de prata…
!... a minha carne, estranhamente, se faz calma:
soergue-se o perispírito em feliz cizânia,
oferecendo meu sangue à luxúria da terra [ sagrada!
# boca aberta & pasmaceira - 2003
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